Privilégio mexicano 1
Na última segunda-feira, em sua coluna no jornal Folha de São Paulo, a jornalista, ciclista e ex-candidata Soninha elegeu o Mundial Interclubles, disputado todo final de ano no Japão, como tema central e único para sua crônica. Ali, ela questiona diversos pontos, compara a Champions League com a Libertadores, fustiga a falta de interesse da imprensa e público do Brasil quando não há um clube brasuca envolvido, relembra antigos formatos, em suma, Soninha propõe um oportuno e esclarecido debate sobre esta importantíssima competição (talvez a maior delas) para os clubes e torcedores de futebol. Mas, surpreendentemente, deixou de falar do maior dos absurdos deste Mundial: a presença de uma equipe mexicana. Como pode as equipes do México disputarem a Libertadores da América e, mesmo indo mal nessa competição, terem uma vaga garantida no Mundial? O que México tem que os outros países do mundo não têm (além de mexicanos)? Não vi nenhum – e nenhuma - jornalista de qualquer mídia falar disso. Talvez nem tenham percebido… Nem Soninha percebeu… Vejam, se os mexicanos têm vaga garantida no Mundial, por que vêm meter o bedelho na Libertadores da América, competição organizada pela Conmebol? Ou uma coisa ou outra, muchachos! Eles que fiquem lá em cima, como fazem, aliás, nas Eliminatórias para a Copa. Quer dizer, quando convém, eles são norte-americanos. É brincadeira! Dá pra entender um absurdo desses? Pior do que isso é a alienação da imprensa, nem mesmo em uma crônica que se propôs a falar só do Mundial Interclubes isso foi observado.
Fabiano Rampazzo